O avesso do realismo
Bernardo Carvalho – autor de Mongólia e O filho da mãe – e Atiq Rahimi – escritor de Terras e Cinzas e de Syngué Sabour, obra a qual lhe concedeu o prêmio Goncourt – debataram a questão do realismo no trabalho deles. Para Bernardo, o realismo é algo que deve ser distorcido, que serve como base para as criações dele, porém isso não significa que tudo o que está escrito seja real. Já Atiq disse que só a realidade quando ela é contada.
O autor afegão foi morar na França aos 14 anos fugindo da guerra em seu país e Syngué Sabour (Pedra da paciência) é o primeiro livro escrito por ele em francês. No Brasil, ele foi lançado em português com o selo do Ano da França no Brasil. Durante os autografos, Atiq perguntava aos leitores para dizer uma palavra preferida, então ele a escrevia em persa, língua materna dele.
À noite, na Casa da Cultura, Atiq debateu sobre cinema (uma vez que o romance Terra e Cinzas vai para a telona) e falou sobre o significado do exílio e, para tanto, contou uma pequena estória para ilustrar algo tão complicado. “É como se houvesse perdido a chave da liberdade e da cidadania em meu país e soubesse que não iria encontrá-la mais lá”, disse. Ao falar, ficou evidente que o autor se sente bem na França, sem embargo, pensa muitíssimo no país e leva esse sentimento melancólico para as obras. O afegão explicou que despejando as dores no papel, ele pode ser uma pessoa feliz e bem humorada. Como realmente se constatou na Flip.