Morre Aimé Césaire, pai do movimento “negritude”
Nessa quinta-feira (17 de abril) morreu, aos 94 anos, o poeta martinicano Aimé Césaire. Ele estava internado desde 9 de abril por conta de problemas respiratórios. O autor de Cahier d’un retour au pays natal – obra poética influenciada pelo surrealismo – foi um dos influenciadores da corrente conhecida como “negritude”, juntamente com o senegalês Leopold Sedar Senghor (que já foi presidente do Senegal) e o guaianês Leon-Gontran Damas. O funeral acontecerá após três dias de homenagem e contará com a presença do presidente francês Nicolas Sarkozy que irá à Martinica, no Caribe, acompanhar a cerimônia.
Nascido em Basse-Point, Césaire sempre foi cercado pela miséria, uma característica constante na ilha que sofreu por causa de 200 anos de escravidão. Césaire era contra a colonização de Martinica, ainda hoje considerada um território ultramarino francês. Césaire, Senghor e Damas fundaram, em 1934, o jornal “O estudante negro”, o qual objetivava incentivar a criação de uma identidade negra.
Seus poemas eram escritos como uma forma de resistir à colonização francesa e à imposição dos costumes europeus à população caribenha. Em Cahier de retour à mon pays natal, ele escreve “minha negritude não é uma torre ou uma catedral, ela mergulha na carne vermelha do solo”.
Aimé Césaire, além de ativista, também foi político. Foi o deputado que esteve mais tempo na Assembléia Legislativa francesa (o departamento ultramarino tem as mesmas prerrogativas dos departamentos da França, pois são considerados parte integrante da República Francesa): de 1945 a 1993.