Livro: Marilyn – as últimas sessões

5068597.jpgMarilyn Monroe é um ícone do cinema e da beleza que continuará fascinando várias gerações. Talvez o enredo dessa estória tivesse sido diferente se não fosse o trágico e misterioso fim de sua triste vida. O psicanalista e crítico literário Michael Schneider mistura ficção e realidade no livro Marilyn – as últimas sessões no qual conta o que ocorreu entre Marilyn e o último psicanalista. O livro é um pouco confuso, com idas e vindas, mas a leitura vale a pena para os fãs de Marilyn Monroe e também para os que gostam de um enredo com bastante suspense.

“Como os cabelos de Marilyn, este romance – estes romances emaranhados – é verdadeiramente falso. Contrariando a advertência obsoleta dos velhos filmes, ele se inspira em fatos reais, e seus personagens aparecem com seus nomes verdadeiros, salvo exceções que visam respeitar a vida privada de pessoas vivas. Os lugares são exatos; as datas, verificadas. As citações, retiradas de suas narrativas, notas, cartas, artigos, entrevistas, livros, filmes etc., são suas próprias palavras. Quando muito, o falsário que sou não hesita em imputar a uns o que outros disseram, viram ou viveram, em lhes atribuir um diário íntimo que nunca foi encontrado, artigos ou notas inventadas,e em lhes emprestar sonhos e pensamentos que nenhuma fonte atesta. Nesta história de amor sem amor, entre duas pessoas reais, Marilyn Monroe e Ralph Greenson, seu último psicanalista, ligados um ao outro pelos fios do destino, não se procurará nem o verdadeiro nem o verossímil. Eu os observo ser o que foram e acolho a estranheza de uma e de outra figura como se ela me falasse da minha”, escreve Schneider.

“John Miner, há muito tempo aposentado, gostaria de poder apertar a tecla de um gravador onde estivesse inserida uma das fitas que Marilyn tinha gravado para seu psicanalista no final de julho ou nos primeiros dias de agosto de 1962. Nessas fitas, Ralph Greenson tinha colado uma etiqueta: MARILYN ÚLTIMAS SESSÕES. Miner as escutara e transcrevera, quarenta e três anos antes, mas nunca as possuíra ou ouvira novamente desde então. Elas desapareceram quando o analista ainda era vivo. Ou depois de sua morte. Como saber? Só restava o que Miner havia resumido com uma minuciosa letra de legista”, diz o autor

“No calor asfixiante e úmido do verão californiano, num outro mês de agosto, diante de outro gravador, Miner, com a voz cada vez mais hesitante e veemente, conta ao jornalista sua visita ao Dr. Greenson, em agosto de 1962. No consultório no térreo da mansão de frente para o Pacífico, ele tinha visto um homem perturbado, mal barbeado, que se exprimia livremente, diante de um interlocutor de confiança. O psicanalista pediu que ele se sentasse e, sem preâmbulo, fez com que ouvisse um cassete de quarenta minutos. Marilyn falava. Sua voz na fita. Nada mais. Nenhum sinal de que alguém a escutasse ou de um diálogo. Ela, e somente ela. Sua voz colocada como que à beira das palavras, não frágil, apenas discreta; deixando que se desvencilhassem sozinhas para serem ouvidas, ou não. Aquela voz do além que penetrava em você, com a densidade inimaginável das vozes ouvidas em sonho. Não se tratava de uma sessão de terapia, pois, explicou Miner, o psiquiatra não gravava seus pacientes. Fora Marilyn quem tinha comprado um gravador algumas semanas antes para transmitir ao analista uma palavra livre, captada pela máquina fora das sessões.”

Editora: Alfaguara Brasil
ISBN: 8560281355
Número de páginas: 432