Livro: Lobos do mar
Torben Grael deu a volta ao mundo velejando. Foram 31.250 milhas náuticas, mais de 57 mil quilômetros, nove meses de viagem. É essa aventura que ele relata no livro Lobos do mar, publicação da Editora Objetiva, que já figura entre os mais vendidos no ranking da Veja.
“Vê se não vão morrer, hein? O Brasil precisa de você! Eu ali com a vida de nove companheiros sob minha responsabilidade em um barco completamente novo para todos. A classe VO70 havia sido criada para aquela edição da regata de volta ao mundo e era uma besta-fera oceânica pouco testada, projetada para viajar sobre a água em velocidades nunca alcançadas por outro veleiro. Com uma previsão de tempo que dava arrepios na espinha. E o camarada vem falar em morte? Procurei esquecer, sem saber, naquele momento, que meses mais tarde o oceano tiraria, de fato, a vida de um de nós.”
“A aventura começou em Vigo, na Espanha. “Alan tinha razão. O fato de estarmos naquele píer era algo inédito na história do Brasil e fruto de anos e anos de preparação e sonho. Nossa nau azul e amarela, as cores da bandeira nacional, repousava tranqüilamente. Mas na calma aparente do porto, o Brasil 1, nosso veleiro de 70 pés de fi bra de carbono, pulsava como um cavalo de corrida preso ao padoque, prestes a ganhar a pista”, relata Torben.
Ele afirma que o caminho teve muitos percalços. “Eu sabia que um dos grandes problemas do nosso time era justamente a falta de tempo adequado para treinar, já que o barco ficara pronto apenas quatro meses antes da largada.” E a imprensa européia foi uma das mais questionadoras com relação ao desempenho dos brasileiros. “Quando decidimos correr todos os riscos de tentar, pela primeira vez, colocar um barco brasileiro em uma competição de tão alto nível tecnológico, sabíamos que o mundo nos olharia com ceticismo. ‘Os brasileiros são especializados em regatas curtas’, diziam as revistas náuticas. ‘Será que, além de jogar bola, os brasileiros sabem velejar no oceano?’, questionava em um artigo o jornalista espanhol de um periódico popular local.”
Mas Torben sempre acreditou na equipe e sentia que as críticas só aumentariam a vontade de ganhar. “Cabia a nós, e mais ainda a mim, mostrar ao mundo que
eles estavam errados. Que um barco de altíssimo nível, totalmente construído no Brasil, com a tripulação mais nacional de todos os sete barcos participantes da regata – éramos seis brasileiros a bordo -, poderia, sim, competir de igual para igual com a tradição de suecos, holandeses, espanhóis e americanos. E mais, poderia eventualmente vencê-los”, diz o velejador.
E a emoção tomou conta de todos que estavam a bordo do Brasil 1 quando perceberam que o Brasil ocupava a primeira posição na disputa. “Poucas horas depois, às quatro da manhã da segunda noite, quando recebi o boletim de posições, uma vontade de rir me assaltou irresistivelmente. Nosso nome estava no topo da tabela, liderando naquele momento a perna e a prova como um todo, já que havíamos sido segundos na primeira regata de porto. O que estariam pensando aqueles céticos que viram em nós apenas um time exótico de um lugar distante?
Desde 1973, quando a regata de volta ao mundo foi inaugurada, os maiores navegadores do mundo sonhavam com isso, com a liderança de uma competição daquele porte. Recolhi-me ao meu beliche e, apesar do frio intenso e do desconforto da cabine molhada, dormi o melhor dos sonos.”
Editora: Objetiva
ISBN: 8573028580
Número de páginas: 272