Livro: La Curée/O regabofe
O francês Émile Zola foi considerado o pai do naturalismo. Essa escola literária foi marcada pelo exagero das descrições, como se o escritor fosse um pintor retratando uma tela impressionista. Não é por acaso que Zola tinha boas relações com Manet. Porém, a grande preocupação com o estilo, com o jogo de palavras com leves pitadas de ironia, rendeu ao francês também uma forte rejeição. Os intelectuais da época diziam que as obras de Émile Zola eram “a arte de feder”. La Curée é o segundo romance da série de vinte volumos sobre a vida dos Rougon-Macquart. Em La Curée/O regabofe, Zola mostra um retrato da sociedade na época de Napoleão III. Através do romance incestuoso de Renée e de seu enteado – Maxime – ele nos apresenta uma sociedade sem pudor, a qual vislumbrava apenas o lucro, o luxo, o status e esquecia dos verdadeiros valores.
O pai de Rénée é o contraste de Aristide Saccard – marido “comprado” da personagem principal. Ele enxerga cifras em tudo, até numa simples vista de Paris…
Apesar de todo o dinheiro que possui, Saccard não consegue comprar um “nome”; ele não tem estirpe de nobre, assim como grande parte de seus amigos. Isso fica evidente em um jantar na casa de Saccard, no qual todos estão somente visando serem saciados.
“Saciar-se”, esse é o verbo da sociedade na época. A vida é uma festa e o palco das grande apresentações é Paris, que pode ser vista como uma personagem (por que não a principal?) do livro de Zola. É na Paris de Haussmann que as grandes transformações acontecem, que Paris é recortada, remodelada, da mesma maneira como a vida das personagens principais do romance.