João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, baiano de Itapirica, ganhou o prêmio Jabuti (de grande prestígio no Brasil, o qual é concedido pela Câmara Brasileira do Livro), em 1972, na categoria “Revelação autor”. O Jabuti foi dado por conta do romance Sargento Getúlio, baseado em fatos acontecidos com o pai que salvara um sargento chamado Cavalcanti e que graças ao pai de João Ubaldo chegara com vida à Aracaju, onde Manuel Ribeiro era chefe de polícia.
Apesar de só ter ganhado a premiação em 1972, o primeiro romance foi escrito quase 10 anos antes – em 1963 – intitulado “Setembro não faz sentido”. Mas, com o golpe de Estado de 1964, ele vai para os Estudos Unidos fazer um mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul. Dois anos depois, ao voltar ao Brasil, começa a ensinar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde se formou em direito.
Criado com rigor pelo pai, João sempre se empenhou em ser o primeiro de classe. “Não sei bem dizer como aprendi a ler. A circulação entre os livros era livre (tinha que ser, pensando bem, porque eles estavam pela casa toda, inclusive na cozinha e no banheiro), de maneira que eu convivia com eles todas as horas do dia, a ponto de passar tempos enormes com um deles aberto no colo, fingindo que estava lendo e, na verdade, se não me trai a vã memória, de certa forma lendo, porque quando havia figuras, eu inventava as histórias que elas ilustravam e, ao olhar para as letras, tinha a sensação de que entendia nelas o que inventara. Segundo a crônica familiar, meu pai interpretava aquilo como uma grande sede de saber cruelmente insatisfeita e queria que eu aprendesse a ler já aos quatro anos, sendo demovido a muito custo, por uma pedagoga amiga nossa. Mas, depois que completei seis anos, ele não agüentou, fez um discurso dizendo que eu já conhecia todas as letras e agora era só uma questão de juntá-las e, além de tudo, ele não suportava mais ter um filho analfabeto.”
A paixão pelos livros poder ser considerada “uma herança”. “Nada, porém, era como os livros. Toda a família sempre foi obsedada por livros e às vezes ainda arma brigas ferozes por causa de livros, entre acusações mútuas de furto ou apropriação indébita. Meu avô furtava livros de meu pai, meu pai furtava livros de meu avô, eu furtava livros de meu pai e minha irmã até hoje furta livros de todos nós. A maior casa onde moramos, mais ou menos a partir da época em que aprendi a ler, tinha uma sala reservada para a biblioteca e gabinete de meu pai, mas os livros não cabiam nela — na verdade, mal cabiam na casa. E, embora os interesses básicos dele fossem Direito e História, os livros eram sobre todos os assuntos e de todos os tipos.” (Trechos da crônica Memórias de um livro, contida na obra Um brasileiro em Berlim)
Obras publicadas pelo autor
Romances:
Setembro não tem sentido - 1968
Sargento Getúlio - 1971
Vila Real - 1979
Viva o povo brasileiro - 1984
O sorriso do lagarto - 1989
O feitiço da Ilha do Pavão - 1997
A casa dos Budas ditosos - 1999
Miséria e grandeza do amor de Benedita (primeiro e-book — livro virtual — lançado no Brasil) - 2000
Diário do Farol - 2002
Miséria e grandeza do amor de Benedita, Dom Quixote - Portugal - 2003
Diário do Farol - Dom Quixote - Portugal - coleção “Grandes Autores de Língua Portuguesa” - 2003
Contos:
Vencecavalo e o outro povo - 1974
Livro de histórias - 1981 (reeditado em 1991, incluindo os contos “Patrocinando a arte” e “O estouro da boiada”, sob o título de “Já podeis da pátria filhos”).
Crônicas:
Sempre aos domingos - 1988
Um brasileiro em Berlim - 1995
Arte e ciência de roubar galinha - 1998
O Conselheiro Come - 2000
Você me mata, Mãe gentil - 2004
A gente se acostuma a tudo - 2006
Ensaio:
Política: quem manda, por que manda, como manda - 1981
Literatura infanto-juvenil:
Vida e paixão de Pandomar, o cruel - 1983
A vingança de Charles Tiburone - 1990
Antologia:
História Pitorescas - 1977
Obra seleta - 2005
Participação em coletâneas:
“Lugar e circunstância”. In: Panorama do conto bahiano - 1959
“Josefina”, “Decalião” e “O Campeão”. In: Reunião: contos - 1961
“Já podeis da pátria filhos”. In: Onze em campo e um banco de primeira - 1998
Obras traduzidas pelo autor:
Sergeant Getulio (Sargento Getúlio) - Boston - 1978
An invincible memory (Viva o povo brasileiro) - N.York - 1989
Organização de livro:
Nova floresta - Manuel Bernardes - 1993
Apresentação de livros:
“Um espelho distante”. In: A arte de furtar - 1992
“Apresentação”. In: Nova floresta - 1993
“Apresentação”. In: O mistério do Leão Rampante - 1995
“Vida e livro fascinantes”. In: Glauber Rocha, esse vulcão - 199