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Livro: Testemunhas da China

2816190.jpgUm retrato sobre a China, país cheio de contradições, com mais de 1 bilhão de pessoas, cuja cultura é milenar, porém que engatinha em alguns temas. Talvez se pudesse definir desta maneira o livro , escrito pela jornalista chinesa Xinran e publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

O livro é resultado de uma longa pesquisa e de uma seleção de entrevistas com a geração dos “avós e pais” chineses. A população chinesa, tão diversa, é representada por diversas pessoas, pertencentes à variadas classes sociais, como a general Phoebe, a qual nasceu nos Estados Unidos e pertencia a uma família com tradição acadêmica; uma vendedora de ervas medicinais; uma acrobata; um sobrevivente da Longa Marcha; uma sapateira que conseguiu enviar os filhos para as melhores universidades chinesas. A autora esclarece o motivo que a levou a escrever a obra: “Estou convencida de que será nossa obrigação responder aos mais jovens caso aconteça uma ruptura entre gerações. Sinto que tenho uma responsabilidade pessoal nisso, que alguns poderão considerar ingênua ou risível. Quando os jovens envelhecerem talvez sintam que foram uma geração perdida. Poderão nos culpar, mesmo sem entender por que fazem isso. Isso já aconteceu na história recente: muitos jovens chineses não acreditam que seus pais tiveram um passado de glórias nem reconhecem os valores que as gerações passadas tinham em alta conta, e podem chegar ao ponto de não encontrar meios para confirmar o que aconteceu a seus pais no passado. (…) O que estou tentando fazer é introduzir, numa sociedade que permaneceu congelada por milhares de anos, a discussão de novos temas, ‘jatos de água fresca’, de modo a permitir a contrapartida dessas gerações que assistiram a mudanças dramáticas ao longo dos últimos cem anos; contracorrentes da história, da verdade, dos valores e crenças de uma outra era.”

Na verdade, há também um motivo pessoal. A própria Xinran foi uma das vítimas da Revolução Cultural e da política chinesa. Ela diz que via que existia um sentimento de dor e culpa que os pais tinham em relação aos filhos. “Entre as gerações mais velhas, há muita gente que se sente assim na China, e esse sentimento se apresentou, em maior ou menor grau, nos rostos de quase todos os velhos que entrevistei: no coração, uma ferida aberta por dias e noites de culpa. As crianças tinham se tornado vítimas da devoção ao trabalho de seus pais, seus anos inocentes de infância sacrificados no altar da política. Sou uma delas; meu pai e minha mãe estiveram sempre tão envolvidos em suas carreiras que nunca conseguimos reunir a família toda para comemorar meu aniversário”, comenta.

Quando se lê Testemunhas da China pode-se começar a entender – e criticar menos – os motivos das antigas gerações terem acreditados tanto em Mao-Tse Tung. Também pode ser verificado todos os tipos de privações pelas quais passaram algumas gerações para que a China se tornasse uma nação com uma forte economia atualmente. Há, no entanto, resquícios daquela obediência cega ao partido. “Tenho a impressão de que esses ‘Não falo sobre política’ e ‘Não sei ao certo’ devem ser especialidades chinesas. Ninguém quer ser flagrado a todo momento contando uma história cheia de furos e enganos.”

“Quando me mudei para a Inglaterra, em 1997, tinha orgulho da velocidade com que a China, e suas cidades em particular, estava mudando. Mas, depois de ver o cuidado com  que a Europa tentava preservar vestígios do passado, comecei a ficar incomodada com a afobação grosseira de meu país para destruir o velho e promover o novo. Via agora que esse nosso império milenar estava sendo reconstruído por modernizadores irresponsáveis cuja referência cultural era o McDonald’s. Nas duas décadas desde que Mao morrera, a modernização havia feito estragos pesados em todas as cidades chinesas, e os arrogantes planejadores locais ainda insistiam alegremente na destruição sem escrúpulos do passado antigo”, opina Xinran sobre o rápido crescimento na China.

Xinran mostra-se patriota e bastante confiante no povo chinês. “No século XX, a China passou pelo caos da guerra e do dissenso político, o que levou o país e seu povo, depois de quase cem anos dessa experiência, a exaustão, e sua infraestrutura, à beira da paralisia. Em 1981, um grupo de economistas internacionalmente conhecidos previu, numa publicação do governo chinês, que levaria pelo menos um século para que a China superasse sua pobreza. A previsão atraiu considerável indignação popular, despertando a reflexão séria e o trabalho duro há muito dormentes nas ações do governo. Digo isso porque não foram precisos trinta anos, a partir daquele momento, para que o país se alçasse à posição de superpotência emergente, com isso arrastando para si os olhares do mundo.”

Xinran não apenas escreveu como é uma Testemunha da China

Livro: Os segredos dos gatos

213844081.jpgOs felinos são considerados como cheio de artimanhas, individualistas, preguiçosos, que se apegam apenas aos lugares e não aos donos… Quer saber se isso tudo é verdade? Chegou a hora de ler Os segredos dos gatos, livro escrito pelo zooctenista Alexandre Rossi (não, não é mera coincidência… trata-se do Doutor Pet!) e pela veterinária Paula Itikawa.

O livro, ilustrado, mostra que o gato também pode ser adestrado e que o bichano se utiliza de alguns comportamentos para se comunicar com o dono ou com outros animais. A linguagem felina estaria dividida em “aprendida” e instintiva”. “Os gatos possuem uma linguagem própria que atende diversos propósitos, desde atrair parceiros sexuais, até afugentar outros gatos. Grande parte desses sinais é utilizada pelos gatos no
dia-a-dia e entendê-los é importante para uma melhor compreensão de seu comportamento. Vários desses sinais ficam no ambiente (cheiros e arranhaduras) e outros gatos podem ‘lê-los’ sem necessariamente ter de encontrar o gato que os
deixou. Alguns autores comparam esses sinais com bilhetes que duas pessoas trocariam para não ter ou precisar se encontrar”, explicam Alexandre Rossi e Paula Itikawa.

No livro, os amantes dos gatos irão encontrar informações sobre esses animais desde o período neonatal até a velhice, sempre se destacando os cuidados que se deve ter em cada época; dicas sobre qual é o gato certo para você (Macho ou fêmea? De raça ou “vira-lata”? Adulto ou filhote?); além de um dicionário felino. E não para por aí! Você, caro leitor, dono de um gatinho, ainda terá a oportunidade de se conhecer!

Autores: Alexandre Rossi e Paula Itikawa
Editora: Globo
ISBN: 9878525045232
Número de páginas: 240

Livro: A menina marca-texto

f7e9c59c-c30c-482b-9aa5-2cfc5a11c1fd.jpgA menina marca-texto é um livro que deve ser lido não apenas pelas crianças, mas também pelos pais, tios, avós… A autora Izabela Domingues fez sua estreia no mundo da literatura em grande estilo ao escrever uma história com linguagem simples, porém cheia de simbologia; um verdadeiro conto filosófico para toda a família.

Já nas primeiras páginas, a garotinha – que poderia ser qualquer um de nós  – se pergunta o que é ser bom, verdadeiramente bom, pois necessita saber o que deve marcar e desmarcar na vida. E assim se inicia a saga d’A menina marca-texto em busca do Livro Sagrado das Marcações.

Além da bela história, o livro está repleto de belas ilustrações (feitas por Cybelle Peixoto) e das cores dos marca-textos (amarela, azul, rosa e verde), um projeto gráfico de Gisela Abad. O efeito é uma leitura ainda mais alegre e agradável, a qual chama a atenção pela criatividade.

“Esta é a história de uma menina que marcava com um lápis brilhante tudo o que considerava importante na vida. Logo cedo, ela descobriu que não era fácil saber o que realmente tem valor e merece ser destacado no mundo. Pessoas. Lugares. Sentimentos. Escolhas. Atitudes. Porque para merecer destaque alguém precisa ser verdadeiramente bom, ser original ou ser importante para alguém.” Desta maneira, pode-se dizer que Izabela Domingues já está marcada no mundo da literatura infanto-juvenil.

Autor: Izabela Domingues
Editora: Calibán
ISBN: 9788587025319
Número de páginas: 54

Segunda maior biblioteca do mundo dispõe acervo pela internet

A Biblioteca Britânica - segundo maior acervo do mundo, ficando atrás apenas da do Congresso dos Estados Unidos - dispôs o acervo pela internet. São aproximadamente 150 milhões de fontes que podem ser acessadas através  do site www.bl.uk/. Não é por acaso que o lema da referida biblioteca é “The world’s knowledge”.

Lobo Antunes: um amante da literatura, de aspecto rude, mas de alma sensível

No penúltimo dia da Flip, o português Lobo Antunes foi uma das atrações. A palestra do romancista português foi logo após a conferência do jornalista estadunidense Gay Talese. No início, Lobo Antunes estava calado, apenas escutava o que o mediador falava. Porém, quando começou a palestra, o autor encantou a todos pelo amor que exaltava às letras, aos livros. Ele deixou evidente o amor que sente quando escreve ao contar como se deu a trajetória até que se tornasse um dos grandes nomes da literatura lusa.

Tamanha foi a empolgação da plateia que, diferentemente dos outros convidados, Lobo Antunes não leu um trecho do livro (o papel que iria ler chegou no meio da conversa e o auditório pediu para que ele continuasse falando sobre a vida dele). Durante a conferência, o escritor tentou demonstrar a importância que teve o avô brasileiro - natural de Belém do Pará - na vida do autor.

Num gesto emocionante, quando todos deixavam a tenda dos autores, Lobo Antunes voltou a falar. Sentou-se calmamente e agradeceu aos presentes pelo carinho com o qual os brasileiros o tinham recebido. Um dos momentos mais marcantes da Flip, principalmente ao se saber que a última vez que o escritor luso havia estado no Brasil foi há 26 anos.

Entre quatro paredes - Sophie Calle e Grégoire Bouiller

A artista conceitual francesa Sophie Calle e o ex-namorado, o escritor Grégoire Bouiller, estavam presentes na mesa 12 da 7a. edição da Flip. Com um tom sarcástico e irônico, o ex-casal falava sobre o trabalho que Calle fez a partir de um e-mail de rompimento que recebeu de Grégoire. Foi a primeira vez que os dois se apresentaram juntos em público para falar sobre o assunto.

No decorrer da conferência, Grégoire Bouiller disse que a pessoa que escreveu o e-mail para Sophie Calle foi o “Grégoire” e não o escritor “Grégoire Bouiller”, explicando até mesmo o sentido da falta do sobrenome da mensagem que mandou para a ex-namorada. Ele afirmou que a análise feita na obra de Calle é apenas a partir do e-mail e não foi feita a análise do que aconteceu antes e culminou naquela mensagem.

Mas não é só Sophie que fez um trabalho sobre Grégoire. O inverso também ocorreu! Em 2004, ele publicou L’invité mystère, o qual fala sobre o momento em que foi convidado para o aniversário de Sophie Calle (ela convidava um número correspondente a sua idade e mais uma pessoa que não conhecia, simbolizando o ano que estava por vir e que ainda era um mistério). A edição brasileira foi lançada após a conferência em Paraty e todos os livros (primeiramente os escritos em francês) se esgotaram em poucos minutos.

Chico Buarque causa furor em Paraty

A palestra de Chico Buarque e Milton Hatoum foi aguardada por centenas de fãs que se aglomeravam ao redor da tenda do telão em Paraty. O escritor “pop star” chegou na tenda dos autografos com dificuldade, pois a multidão fanática era enorme. Para decepção de alguns fãs - e alegria de outros - Chico Buarque autografou apenas cem livros e as pessoas tiveram que pegar um senha logo cedo.

O avesso do realismo

Bernardo Carvalho - autor de Mongólia e O filho da mãe - e Atiq Rahimi - escritor de Terras e Cinzas e de Syngué Sabour, obra a qual lhe concedeu o prêmio Goncourt - debataram a questão do realismo no trabalho deles. Para Bernardo, o realismo é algo que deve ser distorcido, que serve como base para as criações dele, porém isso não significa que tudo o que está escrito seja real. Já Atiq disse que só a realidade quando ela é contada.

O autor afegão foi morar na França aos 14 anos fugindo da guerra em seu país e Syngué Sabour (Pedra da paciência) é o primeiro livro escrito por ele em francês. No Brasil, ele foi lançado em português com o selo do Ano da França no Brasil. Durante os autografos, Atiq perguntava aos leitores para dizer uma palavra preferida, então ele a escrevia em persa, língua materna dele.

À noite, na Casa da Cultura, Atiq debateu sobre cinema (uma vez que o romance Terra e Cinzas vai para a telona) e falou sobre o significado do exílio e, para tanto, contou uma pequena estória para ilustrar algo tão complicado. “É como se houvesse perdido a chave da liberdade e da cidadania em meu país e soubesse que não iria encontrá-la mais lá”, disse. Ao falar, ficou evidente que o autor se sente bem na França, sem embargo, pensa muitíssimo no país e leva esse sentimento melancólico para as obras. O afegão explicou que despejando as dores no papel, ele pode ser uma pessoa feliz e bem humorada. Como realmente se constatou na Flip.

China no divã

No segundo dia da Flip, a China foi o grande tema. Os escritores de Pequim em Coma - Ma Jian - e de As boas mulheres da China - Xinran - participaram da mesa, na qual houve uma comparação do processo histórico e cultural que sofreu a China milenar até hoje, momento em que vive uma prosperidade econômica figurando entre os membros do “Bric”.

Esbanjando simpatia, Xinran falou das artimanhas para conseguir os depoimentos que compuseram o livro mais recente - Testemunhas da China. Um momento curioso foi quando Xinran revelou porque tinha apenas uma unha pintada de vermelho. A autora chinesa fez isso para chamar a atenção - ela disse que geralmene são as mulheres que percebem essas peculiaridades - das pessoas e, dessa maneira, poder começar um diálogo. Foi deixando uma pimentinha no rosto ao sair de casa que algumas mulheres a olhavame diziam: “Olha, tem uma coisa no seu rosto…”. Em seguida, começava a conversa… A partir de então Xinran percebeu que  poderia se utilizar dessa “técnica” para as pessoas começarem a se abrir com ela.

Ma Jian falou em chinês durante toda a palestra - o que tornou a tradução um pouco confusa. Trata-se de uma atitute política que ele uiliza até mesmo em casa para falar com o filho e a esposa - uma inglesa. Ma Jian relatou os momentos que ele viveu como estudante durante o massacre da Paz Celestial e quando o irmão ficou em coma. Ele disse que sortudos foram os que ficaram em coma, pois tiveram a memória preservada e não foi feita uma lavagem cerebral como ocorreu com a maioria dos chineses.

Depois da conferência, Xinran e Ma Jian foram autografar o livro de dezenas de fãs que se aglomaravam e compraram vários exemplares na Livraria Oficial da Flip. Esbanjando simpatia, Xinran pedia desculpa aos fãs pela longa demora, sorria e ainda tirava fotos com todos, fazendo questão de levantar-se sempre.